Editorias / Opinião
Dilma e as mulheres - Iris de Araújo
29 de Abril de 2010 DM-GO
29 de Abril de 2010 DM-GO
A pré-candidatura à Presidência da República da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem desde já um significado histórico. Ela se apresenta ao pleito tendo por base uma ampla frente de partidos. Tem o apoio do presidente Lula com sua ampla popularidade. Portanto, reúne condições objetivas para quebrar um imenso tabu e se tornar a primeira mulher a dirigir os destinos do Brasil.
Num País com extremo domínio dos homens no universo político, a possibilidade de um toque feminino no comando da Nação é algo, sem dúvida, inusitado. Dilma chega a esta condição, de disputar em pé de igualdade o pleito com chances reais de se consagrar nas urnas, graças, principalmente, ao seu perfil técnico. Ela demonstrou ao mundo toda a competência, zelo administrativo e capacidade de gestão da mulher brasileira. Como a própria ex-ministra disse, a sua característica não é a que se assemelha ao político tradicional. Pelo contrário. Traz toda uma ação sem aqueles vícios que, infelizmente, tantos prejuízos provocam na imagem dos agentes públicos do País.
Mas é preciso que uma questão fundamental fique bastante clara: Dilma não pode, em hipótese alguma, no exercício desta oportunidade histórica ímpar, se “fantasiar” de homem. Ou seja, assumir um comportamento político que se assemelhe à média comum dos políticos brasileiros para se adequar a um cenário especialmente marcado por práticas masculinas, a maioria delas questionáveis e inadequadas.
O que de fato se espera de Dilma é que seja o divisor de águas no sentido de abrir as comportas para uma ampla participação das mulheres brasileiras no contexto político. Infelizmente, o segmento se afasta desta atividade principalmente porque falta estímulo. Quando líderes femininas assumem posição de relevo em órgãos públicos, a maioria não se enxerga nelas. Ou seja, avaliam que nada mudou. Não se sentem representadas.
Isso acontece justamente porque as mulheres que se projetam na política muitas vezes preferem adotar o estilo e a expressão masculina de ser. Desta forma, se afastam dos anseios e das expectativas das donas de casa, das profissionais liberais, das estudantes. As eleitoras, com isso, começam a perder a expectativa diante do inusitado dos fatos.
Procurei durante toda minha vida política manter-me fiel às bandeiras femininas e em perfeita sintonia com os seus anseios, principalmente quando tive a oportunidade de me tornar a primeira mulher a presidir o PMDB Nacional. Diante da grande responsabilidade de comandar o maior partido do País, tudo fiz para que aquela conquista representasse um salto de qualidade em nossas lutas. Este mesmo compromisso permanece agora, na segunda vice-presidência da legenda.
É preciso que mais mulheres venham participar das fileiras políticas. É inadmissível que o Brasil continue a exibir esta democracia manca, com extrema supremacia de gênero. Se somos iguais perante a lei, isso não acontece nas instâncias de poder, nas estruturas que comandam a Nação, nas mesas de decisão.
51,7% dos eleitores brasileiros são mulheres, segundo balanço do TSE. Somos maioria em número, mas não em poder.
51,7% dos eleitores brasileiros são mulheres, segundo balanço do TSE. Somos maioria em número, mas não em poder.
O Brasil tem um dos piores índices de representação feminina. A média de mulheres no Parlamento brasileiro e nos ministérios fica abaixo da média latino-americana e mundial.
Entre 156 países avaliados, o Brasil ocupa apenas a posição de número 108 quanto ao número de mulheres na Câmara Federal.
Entre 156 países avaliados, o Brasil ocupa apenas a posição de número 108 quanto ao número de mulheres na Câmara Federal.
Portanto, ampliar espaços nas estruturas de direção do País é uma exigência para não corroer as bases de um sistema que de fato represente o conjunto da população brasileira.
Sem o equilíbrio de gênero, a democracia tende a reproduzir práticas deformadas que atrofiam a atividade pública.
Sem o equilíbrio de gênero, a democracia tende a reproduzir práticas deformadas que atrofiam a atividade pública.
Além de discursos firmes na defesa da igualdade de gênero, é preciso que as mulheres que ocupam posições de destaque no País também sejam espontâneas na sua maneira de agir. Ou seja, devem se associar mais ao nosso jeito de ser. Afinal, a sensibilidade feminina tornaria as estruturas de poder mais receptivas ao clamor que vem dos lares e das ruas, tornando mais justo um País ainda marcado por gritantes desníveis sociais.
Iris de Araújo é segunda vice-presidente nacional do PMDB, deputada federal, integra as comissões de Relações Exteriores e Desenvolvimento Urbano da Câmara, compõe o Parlamento do Mercosul e a Subcomissão Especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
Iris de Araújo é segunda vice-presidente nacional do PMDB, deputada federal, integra as comissões de Relações Exteriores e Desenvolvimento Urbano da Câmara, compõe o Parlamento do Mercosul e a Subcomissão Especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

